11 de set de 2009

CARPINA SÓ SE AMA UMA VEZ, A PRIMEIRA E PARA SEMPRE

É assim que é amada a minha terra que fica entronizada num planalto a 184 m do nível do mar. Descoberto pelo português Martinho Francisco de Andrade Lima por volta do ano de 1870. Vindo de Portugal aqui se instalou para desenvolver sua profissão de carpinteiro, cobiçada pelas áreas de mata virgem aqui existente, ergueu nessa chã a sua moradia à margem do caminho que cortava a dita chã em demanda do Recife onde vivia da sua profissão.
Começou a ficar conhecido o local como chã do carpina, pelos viajantes que por ali transitava. Tinha como única vizinha a D. Aninha, que comerciava banana, jaca, fumo, aguardente, mel etc. Passaram-se os tempos e a chã começou a ficar conhecida e outras pessoas também começaram a construir casas de taipa para se fixar no local, explorando a agricultura. O comércio foi crescendo deixando de ser prioridade de D. Aninha, o clima, um dos mais excelentes, cobiçava a todos. Em 1881 foi aberta a estrada de ferro para Limoeiro e logo depois para Nazaré da Mata, fazendo-se o entroncamento na chã. Veio o desenvolvimento, sucediam-se as construções, crescia a população.
Em 1836 o Sr. João Batista de Carvalho, um dos moradores mais antigos da chã, tomou a iniciativa de desapropriar roçados, enfrentando sérias oposições, a fim de construir uma praça, hoje denominada de Praça Joaquim Nabuco. Em seguida foi criado o distrito no ano de 1901. Daí começaram a alvorecer os primeiros anseios de liberdade. Em 1908 o trem de ferro, puxado por uma Maria Fumaça, parava na estaçãozinha do planalto, conduzindo a comitiva presidencial em demanda à Paraíba. O Presidente Afonso Pena era recebido com festa. Em dado momento surgiu da multidão um fedelho de 13 anos para fazer uma saudação ao ilustre mandatário. E o fez com garbo. Era o menino Assis Chateaubriand, foi comentário de todas as reuniões. O velho Tota também morador antigo da Chã, convocou um grupo com finalidade de erigir um monumento para perpetuar o fato. E, com a presença do inglês Dr. Rowlison, o professor Chateaubriand, o tribuno Batista de Carvalho, o Capitão Osvaldo Freire, o Dr. Guerra, o farmacêutico José de Lima, o vigário Melo, surgiu a idéia de se erguer um pedestal simbólico encimado por um leão que ainda existe como notícia da época, na Praça São José.
O movimento de libertação começou a tomar vulto e, 1909, o distrito filho de Paudalho e Nazaré da mata, foi elevado a categoria de Vila, com a denominação de Floresta dos Leões. Não parou aí a luta de seus amigos para rebentar os grilhões que atavam o progresso deste planalto promissor . Após várias lutas políticas em 11 de setembro de 1928, recebeu a vila Floresta dos Leões as bênçãos da Lei. Ficamos independentes, mas, esquecido o velho carpinteiro Martinho Francisco. Quando em 1938, o historiador Mário Melo estudando a origem dos nomes e tradições das cidades pernambucanas, fez juz aquele que foi o desbravador da floresta Planaltina. Voltou a Floresta dos Leões a denominar-se Carpina, perdendo somente o prenome de Chã. Esta é um pouco da história desta cidade que nós amamos.
CHARLES MEIRA

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