12 de jun de 2009

Perdas e Danos

Estragos na Petrobrás
“Estragos produzidos na Petrobrás, pelo governo FHC, visando desnacionalizá-la” (1) Foi como o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), Fernando Siqueira, descreveu as ações contra o Sistema Petrobrás nos anos do príncipe das privatizações. O artigo foi publicado no site da AEPET em abril/2009 quando os tucanos, por falta de discurso político, criaram uma CPI contra a Petrobrás. Em resumo:

As ações deletérias começaram quando FHC, ainda ministro, fez um corte de 52% no orçamento da Petrobrás previsto para o ano de 1994, sem nenhuma justificativa técnica. Prosseguiram com manipulações para menor da estrutura de preços: desvio de 3 bilhões de dólares anuais para o cartel internacional. Em 1995, a proibição de informações de estatais ante o Congresso Nacional facilitou as manipulações da imprensa privatista. (...)

Também em 1995, FHC deflagrou o contrato e a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil, o pior contrato que a Petrobrás assinou em sua história. Atendeu aos interesses das estrangeiras Enron e Repsol, donas do gás da Bolívia. Para isso, suspendeu a construção de 15 hidrelétricas e provocou o “apagão” do setor no Brasil. Um contrato totalmente prejudicial aos interesses dos governos do Brasil e da Bolívia. (...)

Em 1995, o governo tentou desmoralizar o movimento sindical após 30 dias de greve, reprimida com tropas do Exército. Tentativa de calar a oposição às privatizações. No mesmo ano, cinco alterações profundas na Constituição incluíam o fim do monopólio da Estatal. Custo para o Congresso Nacional: barganha política, liberação de emendas, chantagens e compra de votos. Em 1996, outras manobras ampliam as ações privatistas. (...)

Em 1997, FHC criou a Agência Nacional do Petróleo e nomeou o genro, David Zylberstajn, que havia se notabilizado no governo de São Paulo pela desnacionalização de empresas de energia por preços irrisórios. Na sua posse, bradou no auditório repleto de estrangeiros: “O petróleo agora é vosso”. E passou a ser, como provam os generosos leilões de blocos de exploração cedidos à exploração do cartel internacional. (...)

1998, a Petrobrás é impedida pelo governo FHC de obter empréstimos baratos (6% ao ano) no exterior para tocar seus projetos, e de emitir debêntures que visavam à obtenção de recursos para os seus investimentos. No mesmo ano, FHC cria o REPETRO que libera as empresas estrangeiras do pagamento de impostos pelos seus produtos importados. Mas sem, contudo, dar a contrapartida às empresas nacionais. (...)

Isto, somado à abertura do mercado nacional iniciada por Fernando Collor, liquidou as 5.000 empresas fornecedoras de equipamentos para a Petrobrás, gerando desemprego e perda de tecnologias brutais para o País. A abertura do capital da Petrobrás à bolsa de Nova York resultou na desnacionalização de 30% das ações da empresa, vendidas por preços irrisórios (cerca de 10% do valor, como na venda/doação da Vale do Rio Doce).

Um blog revolucionário

O movimento da mídia e de políticos da oposição em favor da CPI da Petrobrás não é somente uma manobra política oportunista, eleitoreira (por falta de um programa eleitoral para enfrentar o crescimento da aprovação ao governo). Também não é tão só uma jogada política de grupos de interesses que usa um senado por demais desmoralizado para tentar reaver antigos privilégios da grande empresa nacional.

É tudo isso, também, e muito mais. A CPI da Petrobrás é uma manobra urdida nos mesmos porões escusos da era FHC. O objetivo é tentar fragilizar a Estatal para desviar o foco das atuais discussões em torno de um novo marco legal que favorece o retorno do monopólio estatal sobre os combustíveis. Por que? A Petrobrás é, hoje, a quarta maior empresa do setor no mundo. É a primeira de maior credibilidade internacional.

Mais ainda: a Petrobrás é a única empresa do setor, em plena crise mundial, a manter seu cronograma de investimentos. Uma CPI, no entanto, pode ser prejudicial aos interesses da empresa e do país, principalmente porque o sistema Petrobrás envolve amplos e diversos interesses corporativos. E, pelas manifestações prévias, teremos um festival de pirotecnia, bem ao gosto da mídia e de políticos da oposição.

Para tentar barrar o comportamento habitualmente irresponsável da manipulação midiática e oposicionista no processo da CPI, a Petrobrás resolveu inovar: passará a dispor ao público todas as informações passadas à imprensa. Dessa forma, o leitor poderá conhecer as respostas da Petrobrás que a mídia e os políticos desprezam ou distorcem porque não atendem aos interesses de suas argumentações e pirotecnias.

Diante do revolucionário blog da Petrobrás, FATOS E DADOS (2) (inaugurado neste sábado, 6/06, e já obtendo quase 100 mil acessos), iram-se os principais jornais do país. Por que? Porque passam a perder o monopólio da informação e, consequentemente, o poder sobre os leitores. Porque permite aos leitores identificar o processo de manipulação com que usualmente se abusa das suas confianças e consciências críticas.

“A empresa tem o direito de se acautelar, através das informações que difunde no blog, contra as distorções em que os meios de comunicação têm incorrido, como a própria ABI registrou em matéria publicada da edição de 31 de maio de um dos jornais que agora se insurgem contra o blog da empresa”. É o que diz em carta a Associação Brasileira de Imprensa, que vê na reação dos jornais “inegável cunho político”.
Fonte: HS Liberal

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